Governança e Futebol: Um Estudo em Clubes de Caxias do Sul

Régis Michels Nazi, Nério Amboni

Resumo


Este artigo visa analisar a relação entre a adoção de práticas de governança corporativa e desempenho esportivo nos clubes de futebol de Caxias do Sul: Esporte Clube Juventude e Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul, entre 2012 e 2016. Os dados foram coletados através de entrevistas com dirigentes dos clubes de futebol, complementadas com informações oriundas de documentos analisados como os estatutos das respectivas associações. As dimensões analisadas foram: estrutura de governança, transparência, accountability, retorno social e práticas gerenciais. Os achados demonstram que nos casos estudados, os princípios de governança corporativa ainda são incipientes, mas estas influenciaram o desempenho esportivo dos clubes. O Esporte Clube Juventude obteve um bom desempenho no período e que a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul, depois de atravessar problemas gerenciais e esportivos no período, está se estruturando para conseguir melhores resultados. Por fim, compreende-se que para sobreviver e buscar resultados positivos, os clubes de futebol não poderão mais seguir com práticas arcaicas de gestão.

 


Palavras-chave


Futebol; Gestão Esportiva; Governança Corporativa

Referências


Abdullah, W. A. W., Percy, M., & Stewart, J. (2015). Determinants of voluntary corporate governance disclosure: evidence from Islamic banks in the Southeast Asian and the Gulf Cooperation Council regions. Journal of Contemporary Accounting & Economics, 11(3), 262-279.

Aidar, A. C. K., Oliveira, J. J., & Leoncini, M. P. (2002). A nova gestão do futebol. Rio de Janeiro: FGV.

Andrade, A., & Rossetti, J. P. (2014). Governança corporativa: fundamentos, desenvolvimento e tendências. São Paulo: Atlas.

Andreff, W. (2007). French football: a financial crisis rooted in weak governance. Journal of Sports Economics, 8(6), 652-661.

BDO. (2017). 10º Valor das Marcas dos Clubes Brasileiros – Finanças dos Clubes. Recuperado em 20 março, 2018, de https://www.bdo.com.br/pt-br/publicacoes/noticias-em-destaque/10%C2%BA-valor-das-marcas-dos-clubes-brasileiros.

Borges, L. F. X., & Serrão, C. F. B. (2005). Aspectos de Governança Corporativa Moderna no Brasil. Revista do BNDES, 13(24), 111-148.

Brahim, Z., & Nourredine, F. (2017). Corporate governance among small and medium size enterprises in Algeria: “impediments to the practice of corporate governance system”. Asian Journal of Economic Modelling, 5(2), 154-166.

Breitbarth, T., & Harris, P. (2008). The role of corporate social responsibility in the football business: Toward the development of a conceptual model. European Sport Marketing Quarterly, 8(2), 179–206

Brunoro, J. C., & Afif, A. (1997). Futebol 100% profissional. São Paulo: Gente.

Caballero, N. (1998). A co-gestão esportiva no futebol: o caso Juventude-Parmalat. Passo Fundo: Ediupf.

Catapan, A., & Cherobim, A. P. M. S. (2010). Estado da arte da governança corporativa: estudo bibliométrico nos anos de 2000 a 2010. Revista de Administração, Contabilidade e Economia, 9(1-2), 207-230.

Custódio, R. S., & Rezende, A. J. (2009). A evidenciação dos direitos federativos nas demonstrações contábeis dos clubes de futebol brasileiros. Anais do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. São Paulo, SP, Brasil, 9.

Dietl, H., & Franck, E. (2007). Governance failure and financial crisis in German football. Journal of Sports Economics, 8(6), 662-669.

Durisin, B., & Puzone, F. (2009). Maturation of corporate governance research, 1993–2007: an assessment. Corporate Governance: An International Review, 17(3), 266-291.

Espartel, L., Müller Neto, H. F., & Pompiani, A. E. M. (2009). Amar é ser fiel a quem nos trai: a relação do torcedor com seu time de futebol. Organizações & Sociedade, 16(48), 59-80.

Fernandes, L. F. F. (2009). As estratégias para o negócio futebol: um estudo de caso dos clubes do Rio Grande do Sul. Dissertação de Doutorado em Motricidade Humana - Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa.

Flick, U. (2013). Introdução à metodologia de pesquisa. Porto Alegre: Penso.

Freitas, H.V. (2012). A governança corporativa nos clubes de futebol: um estudo multicaso baseado nas práticas de governança corporativa dos clubes cariocas. Dissertação de Mestrado Executivo em Gestão Empresarial - Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro.

Frick, B., & Prinz, J. (2006). Crisis? What crisis? Football in Germany. Journal of Sports Economics, 7(1), 60-75.

Gibbs, G. (2009). Análise de dados qualitativos. Porto Alegre: Artmed; Bookman.

Gil, A.C. (2008). Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas.

Gray, D. E. (2012). Pesquisa no mundo real. Porto Alegre: Penso.

Groeneveld, M. (2009). European sport governance, citizens, and the state: finding a (co-) productive balance for the twenty-first century. Public Management Review, 11(4), 421-440.

Hamil, S., Morrow, S., Idle, C., Rossi, G., & Faccendini, S. (2010). The governance and regulation of Italian football. Soccer & Society, 11(4), 373-413.

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. (2015). Código das melhores práticas de governança corporativa. Recuperado em 18 março, 2018, de

Itaú-BBA. (2017). Análise econômico-financeira dos clubes de futebol brasileiros – 2016. Recuperado em 19 março, 2018, de: https://www.itau.com.br/itaubba-pt/noticias/itau-bba-divulga-analise-economico-financeira-dos-clubes-de-futebol-brasileiros-2017.

Jensen, M., & Meckling, W. (1976). Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3(4), 305-360.

Kalezic, Z. (2012). Corporate governance and firm performance with special reference to the banking system: empirical evidence from Montenegro. Journal of Central Banking Theory and Practice, 1(2), 19-54.

Kuper, S., & Szymanski, S. (2010). Soccernomics: porque a Inglaterra perde, a Alemanha e o Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia – e até mesmo o Iraque – podem se tornar os reis do esporte mais popular do mundo. Rio de Janeiro: Tinta Negra.

Lei nº 13.155 de 4 de agosto de 2015 (2015). Estabelece princípios e práticas de responsabilidade fiscal e financeira e de gestão transparente e democrática para entidades desportivas profissionais de futebol; institui parcelamentos especiais para recuperação de dívidas pela União, cria a Autoridade Pública de Governança do Futebol - APFUT; dispõe sobre a gestão temerária no âmbito das entidades desportivas profissionais; cria a Loteria Exclusiva - LOTEX; altera as Leis nos 9.615, de 24 de março de 1998, 8.212, de 24 de julho de 1991, 10.671, de 15 de maio de 2003, 10.891, de 9 de julho de 2004, 11.345, de 14 de setembro de 2006, e 11.438, de 29 de dezembro de 2006, e os Decretos-Leis nos 3.688, de 3 de outubro de 1941, e 204, de 27 de fevereiro de 1967; revoga a Medida Provisória no 669, de 26 de fevereiro de 2015; cria programa de iniciação esportiva escolar; e dá outras providências. Brasília, DF. Recuperado em 25 maio, 2015, de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13155.htm

Luz, A. P. R. G., Boer, A. D. A., Moreno, V. M., & Campestrini, G. R. H. (2012). Responsabilidade socioambiental de entidades desportivas: estudo das práticas e ações no mercado brasileiro, espanhol e português. Qualitas, 13(2), 1-19.

Marques, D. S. P. (2005). Administração de clubes de futebol profissional e governança corporativa: um estudo de casos múltiplos com clubes do estado de São Paulo. Dissertação de Mestrado em Administração - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.

Marques, D. S. P. (2014). Administração de clubes de futebol profissional: proposta de um modelo específico de governança para o setor. Tese de Doutorado em Administração - Universidade de São Paulo, São Paulo.

Marques, D. S. P., & Costa, A. L. (2016). Administração de clubes de futebol profissional: proposta de um modelo específico de governança para o setor. Organizações & Sociedade, 23(78), 378-405.

Marques, D. S. P., & Costa, A. L. (2009) Governança em clubes de futebol: um estudo comparativo de três agremiações no estado de São Paulo. Revista de Administração, 44(2), 118-130.

Mayer, R. (2017). A evidenciação de informações contábeis obrigatórias e voluntárias: um estudo em clubes de futebol brasileiros. Dissertação de Mestrado em Ciências Contábeis - Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo.

Michie, J., & Oughton, C. (2005). The corporate governance of professional football clubs in England. Corporate Governance, 13(40), 517-531.

Moraes, I. F., Marchetti, F., Moreira, R. L., & Carvalho, M. J. (2014). A boa governança dos clubes de futebol e o Fair Play Financeiro: o modelo europeu e a proposta brasileira. Revista Intercontinental de Gestão Desportiva, 4(1), 106-125.

Morck, R., Shleifer, A., & Vishny, R. W. (1988). Management ownership and market valuation: an empirical analysis. Journal of Financial Economics, 20(1/2), 293-315.

Nazi, R. M. (2017). Governança corporativa em clubes de futebol: um estudo multicasos em agremiações gaúchas. Dissertação de Mestrado em Administração - Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis.

OECD. (2015). Principles of Corporate Governance. Recuperado em 31 maio, 2018, de

https://www.oecd.org/daf/ca/Corporate-Governance-Principles-ENG.pdf.

Oliveira, M. M. (2011). Clubes de futebol com boa governança possuem melhor desempenho? Evidências do mercado brasileiro. Dissertação de Mestrado em Administração Empresarial - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Ramly, Z. (2013). Corporate governance, shareholder monitoring and cost of debt in Malaysia. International Journal of Economics and Management Engineering, 7(4), 1062-1073.

Rezende, A. J., & Dalmácio, F. Z. (2015). Práticas de Governança Corporativa e Indicadores de Performance dos Clubes de Futebol: uma Análise das Relações Estruturais. Contabilidade, Gestão e Governança, 18(3), 105-125.

Rezende, A. J., Facure, C. E. F., & Dalmácio, F. Z. (2009). Práticas de governança corporativa em organizações sem fins lucrativos. Anais do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. São Paulo, SP, Brasil, 9.

Ribeiro, H. C. M. (2014). Corporate governance versus corporate governance: an international review: uma análise comparativa da produção acadêmica do tema governança corporativa. Revista Contemporânea de Contabilidade, 11(23), 95-116.

Ribeiro, H. C. M., Ferreira, M. A. S. P. V., & Costa, B. K. (2014). Produção acadêmica dos temas estratégia e Governança Corporativa. Revista de Administração FACES Journal, 13(3), 27-46.

Ribeiro, H. C. M., & Santos, M. C. D. (2015). Perfil e Evolução da Produção Científica do Tema Governança Corporativa nos periódicos Qualis/Capes Nacionais: Uma Análise Bibliométrica e de Redes Sociais. Contabilidade, Gestão e Governança, 18(3), 4-27.

Rodrigues, M. S., & Silva, R. F. C. (2009). A estrutura empresarial nos clubes de futebol. Organizações & Sociedade, 16(48), 17-37.

Saito, R., & Silveira, A. D. M. (2008). Governança corporativa: custos de agência e estrutura de propriedade. Revista de Administração de Empresas, 48(2), 79-86.

Silva, J. A. F. (2007). A transparência das demonstrações financeiras em organizações desportivas: um estudo da evidenciação contábil em clubes de futebol. Anais do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. São Paulo, SP, Brasil, 7.

Silveira, A. D. M., & Barros, L. A. B. C. (2008). Determinantes da qualidade da governança corporativa das companhias abertas brasileiras. Revista Eletrônica de Administração, 14(3), 1-29.

Silveira, A. D. M., Leal, R. P. C., Barros, L. A. B. C., & Carvalhal-da-Silva, A. L. (2009). Evolution and determinants of firm-level corporate governance quality in Brazil. Revista de Administração, 44(3), 173-189.

Souza, F. A. P., & Angelo, C. F. (2005). O fim do passe e seu impacto sobre o desequilíbrio competitivo entre as equipes de futebol. Revista de Administração, 40(3), 280-288.

Spitzeck, H., & Chapman, S. (2012). Creating shared value as a differentiation strategy – the example of BASF in Brazil. Corporate Governance, 12(4), 499-513.

Stake, R. E. (2011). Pesquisa qualitativa: estudando como as coisas funcionam. Porto Alegre: Penso.

Szymanski, S., & Kuypers, T. (1999). Winners and losers: the business strategy of football. Viking: London.

Teixeira, A. A. N. (2014). A dimensão política e os mecanismos de governança no futebol: um estudo em clubes de Minas Gerais. Dissertação de Mestrado em Administração - Universidade FUMEC, Belo Horizonte.

Williamson, O. E. (1996). The mechanism of governance. Oxford: Oxford University Press.

Yeh, C. M., & Taylor, T. (2008). Issues of governance in sport organisations: a question of board size, structure and roles. World Leisure Journal, 50(s/n), 33-45.

Yin, R. K (2015). Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review e-ISSN: 2316-932X
Rua Vergueiro, 235/249 - Liberdade, São Paulo - SP, (Brasil). 01504-000

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença 
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.