Fatores de Competitividade das Operadoras de Trens Turísticos no Brasil

Nicolas Nering, Jose Elmar Feger

Resumo


O transporte ferroviário no Brasil, em virtude da prioridade dada ao modal rodoviário, está concentrado na movimentação de cargas e ao translado de pessoas em grandes centros urbanos. Essa condição acarreta na eclosão dos trens turísticos, os quais, mais que transportar pessoas, se constituem em atrativos turísticos. Propõem-se no presente artigo investigar as operadoras dos trens turísticos, sob o prisma da competitividade, tema ainda não tratado sob esta perspectiva na literatura nacional, visto que os estudos se concentram no modal ferroviário como instrumento de mobilidade urbana. Assim, este estudo tem por objetivo compreender quais são os fatores competitivos que se destacam nos trens turísticos do Brasil. Por meio de uma investigação de cunho exploratório e abordagem qualitativa foi possível levantar um conjunto de fatores de competitividade do turismo ferroviário. Os dados foram colhidos de fontes bibliográficas e documentais, complementados por meio de uma entrevista com o presidente da Associação Brasileira de Operadoras de Trens Turísticos e Culturais. Como resultado, verificou-se que, dentre os aspectos apontados pela literatura, os que se destacam no turismo ferroviário brasileiro tem relação, principalmente com aspectos singulares dos trens, produtos inéditos, empreendedorismo das operadoras e da relação com os competidores e inovação. Isso sugere, que para esses empreendimentos especificamente, a competitividade depende de vantagens comparativas locacionais, mais que estratégias voltadas a interagir proativamente com o mercado.

 


Palavras-chave


Competitividade; Produto turístico; Turismo; Trens turísticos

Referências


Aaker, D. (1998). Marcas. Sao Paulo: Negocio.

Acerenza, M. A. (2002) Administração do turismo: conceituação e organização. Bauru: EDUSC.

Allis, T. (2002). Ferrovia e turismo cultural: alternativa para o futuro da Vila de Paranapiacaba (SP). Revista Turismo Em Análise, 13(2), 29-53.

Ansarah, M. G. R. (2005) Turismo e segmentação de mercado: novos segmentos. In: Trigo, L. G. G. et al (Eds.). Análises regionais e globais do turismo brasileiro. São Paulo: Roca.

ANTT. (2017). Trens Regulares. Recuperado em 13 de Julho de 2017, de http://www.antt.gov.br/passageiros/Trens_Regulares.html.

Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais – ABOTTC. (2017). Site Oficial. Recuperado em 13 de Julho, 2017, de http:// http://www.abottc.com.br/.

Associação Brasileira De Preservação Ferroviária – ABPF. (2017). Início. Recuperado em 13 de Julho, 2017 de http://www.abpf.org.br/.

Barretto, M. (2003). Manual de iniciação ao estudo do turismo, 13 ed., Papirus, Campinas: São Paulo.

BENI, M. C. (2002) Análise estrutural do turismo. 7 ed. São Paulo: Editora SENAC São Paulo.

Boullón, R. C. (2002). Planejamento do espaço turístico. Bauru-SP: EDUSP.

Braga, D. C. (2007) Planejamento turístico: teoria e prática. 2ª reimp. Rio de Janeiro: Campus.

Brambatti, L. E, & Allis, T (2010). Trens e Turismo: a origem dos veraneios Hampek e desvio Blauth. Caxias do Sul: Meridiano.

Castro, W. R, & Monastirsky, L. B. (2013). O patrimônio cultural ferroviário no espaço urbano: reflexões sobre a preservação e os usos. In: 14º 113 Encuentro de Geógrafos de América Latina, 2013, Lima (Peru).

Compans, R. (1999). O Paradigma das Global Cities nas estratégias de desenvolvimento local. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. Campinas, n.1.

Cooper, C. (2001) Turismo, princípios e prática. Org. Chris Cooper, John Fletcher, Stephen Wanhill, David Gilbert, Rebecca Shepherd; trad, Roberto Cataldo Costa – 2 ed. Porto Alegre: Bookman.

Crouch, G. I.; Ritchie, J. R. B. (1999). Tourism, competitiveness, and societal prosperity. Journal of Business Research, 44(3), 137-152.

Davis, M. (2001). Fundamentos da administração da produção. Porto Alegre: Bookman.

De La Torre, O. (1997) El turismo: fenómeno social. 2 ed. México: Sociología, Fondo de Cultura Económica.

Dickinson, J & Lumsdon, L. (2010). Slow Travel and tourism. Londres: Earthscan.

Domareski-Ruiz, T. C; Akel, G. M., & Gândara, J. M. G. (2015). Estudos de Competitividade Turística – Comparativo do Modelo de Dwyer e Kim e do Estudo de Competitividade dos 65 Destinos Indutores do Brasil. Turismo e Sociedade, 8(1), 15-37.

Dwyer, L., & Kim, C. (2003) Destination Competitiveness: Determinants and Indicators. Current Issues in Tourism, 6(5), 369-414

Feger, J. E. (2008). Competição e cooperação em aglomerados de empresas turísticas. Editora Unoesc, Joaçaba/SC.

Fernandes, B. Á.. (2014) Análise dos fatores de competitividade que influenciaram a migração de valor entre as empresas Nokia e Apple no período de 2007 a 2012. Dissertação de mestrado. USCS-Universidade Municipal de São Caetano do Sul, São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil.

Ferraz, J. C.; Kupfer, D.; Haguenauer, L. (1997). Made in Brazil: desafios competitivos para a indústria. Rio de Janeiro: Campus.

Finger, A. E. (2012). Uma vila inglesa e uma vila belga: Os casos de Paranapiacaba, em São Paulo, e da Vila Belga, no Rio Grande do Sul. Caderno de Resumos do VI Colóquio Latino Americano sobre Recuperação e Preservação do Patrimônio Industrial, São Paulo, SP, Brasil.

Freire, M. E. L., Cavalcanti, F, Bessoni, G & Freitas, M. (n.d.) Patrimônio ferroviário: memória ou esquecimento? Abordagem conceitual no processo de valoração do patrimônio ferroviário em Pernambuco. Recuperado em 01 de Junho de 2017 de http:// http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/VI_coloquio_t6_patr imonio_ferroviario.pdf.

Gândara, J. M. G., Miki, A. C., Domareski-Ruiz, T. C.; Biz, A. A. (2013) La Competitividad Turística de Foz do Iguaçu Según los Determinantes Del Integrative Model de Dwyer & Kim: Analizando la estratégia de construcción del futuro. Cuadernos de Turismo, 31, 105-128.

Gerhardt, T. E., Silveira, D. T. (org) (2009). Métodos de Pesquisa. Porto Alegre: Ed. UFRGS. 1ª. Ed.

Gil, A. C (2010). Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. São Paulo: Atlas

Godoy, A. S. (1995) Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Revista de Administração de Empresas, 35(3), 20-29.

Ignarra, L. R. (2003) Fundamentos do turismo. 2. ed. São Paulo: Thomson.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (2017). Brasil em números. Rio de Janeiro: IBGE.

Irving, M. A. & Fragelli, C. (2012) Turismo inclusivo: conceito vazio ou oportunidade de inovação em planejamento turístico? Revista Turismo & Desenvolvimento, v. 3 (17), 1431-1440.

Kuznetsov, V. G., Pshinko, P. O., Klimenko, I. V., Gumenyuk, A. V., Zahorulko, S. M. (2015) Perpectives of Ukrainian railway tourism development on narrow-gauge lines of Zakarpattia. Nauka ta progress Transportu, 58(4), 23-33.

Lage, B. H. G.; Milone, P. C. (2001). Economia do Turismo. 3. ed. Campinas: Papirus.

Lopes Júnior, W. M. (2012). Turismo, transportes e regionalização: considerações geográficas. Raega - O Espaço Geográfico em Análise.

Machado da Silva, C.L; Barbosa, S de L. (2002) Estratégia, Fatores de Competitividade e contexto de referência das organizações: uma análise arquetípica. Revista de Administração Contemporânea, v. 6 (3), 07-32.

Malhotra, N. (2006). Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. Porto Alegre: Boockman.

Mamede, D. M. J. A., Vieira, G. L., & Santos, A. P. G. (2008) Trens turísticos e patrimônio cultural: como o turismo ferroviário tem resgatado, preservado e valorizado o patrimônio cultural. Caderno Virtual de Turismo, 8(2), 81-94.

Masson, S., Petiot, R. (2009). Can the high speed rail reinforce tourism attractiveness? The case of the high speed rail between Perpignan (France) and Barcelona (Spain). Technovation, v. 29, 611-617.

Martseniuk, L. V. (2016). Directions of extreme tourism in Ukraine. Nauka ta Progres Transportu, v. 61 (1), 55-61.

Martseniuk, L. V., Proskurnia, Y. M. (2015) Development of railway tourism in Ukraine as means of avaiable rest organization. Nauka ta Progres Transportu, v. 59 (5), 16-24.

Mattar, F. N (2008). Pesquisa de Marketing Edição Compacta. São Paulo: Atlas.

Miki, A. F. C., Gândara, J. M. G., Muñoz, D. R. M. (2012) O estado atual de pesquisas sobre competitividade turística no Brasil. Caderno Virtual de Turismo, 12 (2), 212-223.

Minayo, M. C. S. (org). (2004). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes.

Ministério do Turismo. (2014) Turismo apoia segmento de trens turísticos. Recuperado em 11 de maio, 2017, de http://www.turismo.gov.br/ultimas-noticias/527-turismo-apoia-segmento-de-trens-tur.

Mintzberg, H., Quinn, J. B. (1998). O Processo da Estratégia. 3ª Edição. São Paulo: Bookman.

Moretti, S. L. A., Zucco, F. D., & Storopoli, J. E. (2011). As motivações e a busca de informação para viagens de lazer: resultados de um Survey entre alunos de um MBA na cidade de São Paulo. Caderno Virtual de Turismo, 11(3), 415-426.

Nakatani, M. S. M., Gomes, E. L., Nunes, M., P. (2016). A promoção e comercialização de localidades como produtos e destinos turísticos: aplicando os conceitos de publicidade e propaganda no turismo. Anais do Seminário da Anptur 2016, São Paulo, SP, Brasil.

Nering, N. (2014). Turismo ferroviário em Rio Negrinho/SC: revivendo e ampliando experiências no Trem da Serra do Mar/SC. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Turismo) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brasil.

Organização Mundial do Turismo. (2001). Introdução ao turismo. São Paulo: Roca.

Page, S. J. (2001). Transporte e turismo. Tradução: Roberto Cataldo Costa. São Paulo: Bookman.

_____. (2008). Transportes e turismo- Perspectivas globais. Porto Alegre: Bookman

Palhares G. L. (2002). Transportes Turísticos. São Paulo: Aleph.

Perim, T. M. P, Caetano, M. Costa, S. H. B., Pimenta, D. P., Almeida, C. F. (2017) Correlações entre transporte e desenvolvimento econômico aplicadas ao turismo: uma análise a partir do município de Calda Novas / GO – Brasil. Revista Gestão e Planejamento.

Pezzi, E., Vianna, S., L., G. (2015). A Experiência Turística e o Turismo de Experiência: um estudo sobre as dimensões da experiência memorável. Turismo em Análise, v. 26 (1), 165-187.

Porter, M., E. (1986). Estratégia Competitiva – Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 18ª Edição. São Paulo-SP: Campus.

Porter, M., E. (1999). Competição. Rio de Janeiro: Campus

Ribeiro, E. A. (2008). A perspectiva da entrevista na investigação qualitativa. Evidência: olhares e pesquisa em saberes educacionais, (4), 129-148.

Ritchie, J. R. B.; Crouch, G. I. (2003) The competitive destination: a sustainable tourism perspective. Washington: CABI Publishing.

Roman, D. J., Piana, J., Lozano, M. A. S. P. L., Mello, N. R. de. e Erdmann, R. H. (2012). Fatores de competitividade organizacional. Brazilian Business Review, v. 9 (1), 27-46.

Ruschmann, D. (2000). Marketing turístico: um enfoque promocional. Campinas: Papirus.

Sebrae. (2014). Índice de competitividade do turismo nacional destinos indutores do desenvolvimento turístico regional: relatório Brasil 2014. Brasília: SEBRAE.

Scott, W. R. (1995) Symbols and organizations: from Barnard to the institutionalists. In: WILLIAMSON, O. (Ed.). Organization theory: from Chester Barnard to the present and beyond. New York: Oxford University Press.

Scott, N., Baggio, R., Cooper, C. (2008) Network analysis and tourism: from theory to practice. London, UK. Channel View Publications.

Serra Verde Express. (2017). Site Oficial. Recuperado em 01 de Julho de 2017 de http://www.serraverdeexpress.com.br/site/conteudodinamico.aspx?cod=22.

Slack, N., Chambers, S., Harland, C. (1997). Administração da produção. São Paulo: Atlas.

Tsai, H.; Song, H.; Wong, K. K. F (2009). Tourism and hotel competitiveness research. Journal of Travel & Tourism Marketing. V. 26 (5 e 6), p. 522-546

Urry, J. (2001). O Olhar do Turista: lazer e viagens nas sociedades contemporâneas 3. ed. São Paulo: Studio Nobel: SESC.

Valls, J. F. (2006). Gestão integral de destinos turísticos sustentáveis. Tradução: Cristiano Vasques e Liana Wang. Rio de Janeiro: Editora FGV.

Zook, C. Allen, J. (2001) Lucro a partir do core business. Estratégias rentáveis de crescimento. Rio de Janeiro: Campus.

Wang, X., Huang, S., Zou, T. & Yan, H. (2012). Effects of the high speed rail network on China's regional tourism development. Tourism Management Perspectives, 1, 34-38.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .

PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review e-ISSN: 2316-932X
Rua Vergueiro, 235/249 - Liberdade, São Paulo - SP, (Brasil). 01504-000