Parques Verdes na Cidade de Belo Horizonte: Atributos e Pesos na Perspectiva da Ambiência

Ítalo Brener Carvalho, Marlusa Sevilha Gosling

Resumo


Instrumentos ou escalas de avaliações de ambientes destinados ao lazer e às práticas esportivas, comumente estabelecem que cada atributo avaliado possuiria o mesmo peso na avaliação do usuário. A metodologia de “Constelação de Atributos” (software desenvolvido em âmbito acadêmico, de uso livre, destinado a pesquisas e estudos dos espaços) descreve por meio da perspectiva da ambiência que a avaliação psicológica das percepções, dos atributos citados por usuários de parques verdes urbanos, não são iguais. Esta afirmação é possível de ser considerada após uma coleta de dados realizada no período de Dezembro de 2017 a março de 2018, utilizando entrevistas semiestruturadas com 77 usuários de 17 parques na cidade de Belo Horizonte – Minas Gerais. A análise dos dados foi realizada por meio do agrupamento temático das categorias e dos atributos de maior frequência relatados pelos entrevistados. A matriz de dados faz parte de um estudo em andamento que teve por objetivo avaliar a qualidade de parques verdes na perspectiva do usuário, que apesar de reconhecerem e estarem satisfeitos com o ambiente, atributos como (1) Conservação e Limpeza; (2) Sanitários; (3) Lixo e Lixeiras e (4) Bebedouros possuem um peso psicológico maior na percepção dos usuários, enquanto atributos como (1) Contemplação; (2) Risco de Doenças; (3) Descolamento e Transporte possuem um peso psicológico muito menor na avaliação. Sendo possível apresentar visualmente os atributos que compõem a avaliação da qualidade do espaço verde em Belo Horizonte. Os resultados recortados neste artigo extrapolam a perspectiva da satisfação e avança para a perspectiva da ambiência.

 


Palavras-chave


Áreas verdes urbanas; Avaliação do usuário de parques; Ambiência; Constelação de atributos

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